Os desafios da Educação de Jovens e Adultos

No dia 19 de março de 2014, o programa Roda de Conversa debateu Os desafios da Educação de Jovens e Adultos. Participaram do debate Geraldo Leôncio Soares, professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais; Jane Paiva, professora da Faculdade de Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e Maria Clara di Pierro, professora da Universidade de São Paulo e especialista em Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Roda de Conversa Durante o programa alguma questões foram levantadas. Entre elas, buscou-se pensar por quais motivos as pessoas que hoje procuram a Educação de  Jovens de Adultos não concluíram o ensino básico na idade regular. Dentro diversidade que caracteriza o público é possível destacar dois grupos  principais. O primeiro, formado por idosos que viveram numa época em que o acesso ao ensino básico era muito mais restrito, é composto por  analfabetos e por pessoas com muito baixa escolaridade. O segundo, é formado principalmente por pessoas que abandonaram a escola devido a  fatores  extraescolares, como a pobreza e o ingresso precoce no mercado de trabalho, e também por fatores escolares, ou seja, devido a uma trajetória  escolar  marcada pelo fracasso, com reprovações sucessivas, o que acaba desestimulando os alunos e levando-os, então, a abandonar a escola:

[Parei de estudar] por causa de trabalho mesmo. Eu sempre gostei de ser independente, sempre gostei de ter as minhas coisas do meu jeito. Aí eu queria as minhas coisas, nós somos nove filhos e para a minha mãe dar para todo mundo não tinha condições. Ela criou a gente sozinha. Teve ajuda, assim, porque ela sempre foi uma mulher muito disposta, então ela não tinha vergonha de pedir, já pediu esmola. Mas eu sempre queria as minhas coisas do meu jeito. Aí parei de estudar para trabalhar. Aí trabalhava e o horário não coincidia com a escola. Às vezes, eu chegava muito cansada, às vezes eu trabalhava à noite, por esse motivo eu parei. (Patrícia Cruz, estudante de EJA em São Gonçalo do Rio Abaixo).

Outro fator a ser acrescentado diz respeito a trajetória de mulheres que tiveram que deixar os estudos por conta de gravidez na adolescência:

Minha dificuldade é porque eu casei muito cedo, aí criei família, formei meus filhos, ajudei a criar um neto e agora vou tentando realizar esse sonho meu. Eu fiz tudo, mas como eu tinha na época 12 anos, eles não me deram diploma. Aí eu conheci o marido com 14 anos, casei e aí foi. A história é essa aí, fui embora e agora voltei por incentivo do neto. (Estudante de EJA em Itabira).

Diante disso, os participantes colocam como desafio repensar o modelo de ensino escolar tradicional, tendo em vista o atendimento às diversas expectativas trazidas pelo público da EJA.

Você pode assistir ao programa e ver como a discussão é desdobrada, acessando este link:

 

*Roda de Conversa é um programa que debate temas do cotidiano escolar, sob a perspectiva pedagógica. É uma iniciativa da Secretaria de Estado da Educação de Minas Gerais, idealizada pela Magistra – escola de formação e desenvolvimento profissional de educadores de Minas Gerais – em parceria com a Assessoria de Comunicação Social.

*Os depoimentos aqui citados estão na públicação Uma nova EJA: reorganização curricular dos municípios mineiros de Itabira e São Gonçalo do Rio Abaixo, produzida pela Ação Educativa em parceria com a Fundação Vale, e que pode ser baixada na Biblioteca do Portal Viver, Aprender.

 

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